Não se esqueça: o mundo virtual é bom, mas a vida real é melhor ainda.

Filme mostra a falsidade das redes sociais

Dirigido e escrito pelo norueguês Shaun Higton, o vídeo “What’s on your mind?” (No que você está pensando?, em português) mostra a falsidade das redes sociais e como elas podem mudar o comportamento de algumas pessoas.
O filme narra a história de um personagem que mente sobre a sua vida para ganhar novos curtir em seus posts e transformar a sua rotina mais emocionante. O vídeo foi publicado no YouTube e tem mais de seis milhões visualizações.
“Logo pensei: não é possível que todo mundo tenha uma vida tão legal e a minha seja tão comum”, disse o autor do vídeo ao site da Veja. “De repente, veio-me à cabeça a ideia de um curta sobre alguém que mentia mais e mais no Facebook enquanto sua vida, na realidade, ia se tornando cada vez mais caótica”.


http://geekness.com.br/filme-mostra-falsidade-das-redes-sociais/

Confi@r????

CONFIAR
Data de lançamento 23 de setembro de 2011 (1h 46min)
Direção: 
Gênero Drama
Nacionalidade EUA


SINOPSE E DETALHES

Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) têm três filhos. Enquanto um está prestes a entrar para a faculdade, a filha do meio, Annie (Liana Liberato), começa a apresentar os sintomas comuns das adolescentes que querem se parecer mais velhas e ser aceitas entre seus pares. Publicitário bem sucedido e super envolvido com a profissão, Will procura ter uma relação de confiança com os filhos, mas Annie inicia um relacionamento no computador com um jovem de 16 anos e dá continuidade através do telefone. Sem que seus pais soubessem, ela aceita o convite dele para um encontro, mas a surpresa que ela tem no primeiro momento é só o começo de um pesadelo que marcará para sempre a sua vida e a de sua família.

Provocará um inflamado debate

MENINA MÁ.COM


Data de lançamento 22 de setembro de 2006 (1h 43min)
Direção: 
Gêneros SuspenseDrama
Nacionalidade EUA


SINOPSE E DETALHES

Hayley Stark (Ellen Page) é uma adolescente, que está conversando em um café com Jeff Kohlver (Patrick Wilson), um homem que conheceu pela internet. Jeff é um fotógrafo em torno de 30 anos, o que não a impede de sugerir que ambos fossem à casa dele. Lá Hayley encontra uma garrafa de vodka e começa a preparar alguns drinks, sugerindo em seguida uma sessão de fotos em que ela faria um strip-tease. Jeff se empolga com a ideia, mas logo sua visão fica embaçada e ele desmaia. Ao acordar ele está amarrado em uma cadeira e descobre que Hayley tinha colocado algo em sua bebida. Hayley começa a vasculhar a casa de Jeff, decidida a encontrar algo que o ligue a Dona Mauer, uma adolescente desaparecida há semanas. Mas caso não encontre alguma prova nem ele queira confessar, Hayley está decidida a usar outros meios para conseguir a informação que deseja.

Ferrugem - Setembro de 2018

FERRUGEM
Data de lançamento 6 de setembro de 2018 (1h 39min)
Direção: 
Gênero Drama
Nacionalidade Brasil

SINOPSE E DETALHES

Assim como a maioria das meninas adolescentes Tati (Tiffanny Dopke) ama compartilhar sua vida nas redes sociais. Porém, quando menos espera, ela vai ter que amadurecer e lidar com as consequências de seus atos, depois que algo que ela não queria que se tornasse público é divulgado no grupo do WhatsApp de sua turma de colégio.

Classificação indicativa a definir por http://www.culturadigital.br/classind.


Online, suas lembranças duram para sempre...

Amizade Desfeita

  • Unfriended

  • Estreia: 12/11/2015
  • Estreia DVD: 22/03/2016
  • Gênero: SuspenseTerror
  • Duração: 83 min.
  • Origem: Estados Unidos
  • Direção: Levan Gabriadze
  • Roteiro: Nelson Greaves
  • Distribuidor: Universal Pictures do Brasil
  • Classificação: 14 anos
  • Ano: 2014

Sinopse

Após um vídeo constrangedor de Laura Barns (Heather Sossaman) cair na internet, ela não suporta a vergonha e acaba se suicidando. Um ano depois, um grupo de amigos conversam via Skype e percebem que há uma sétima pessoa desconhecida na videoconferência, que revela ser sua ex-colega de classe, Laura, exigindo saber quem postou o vídeo que a levou à morte. Inicialmente, os amigos pensam que trata-se de uma brincadeira, mas logo descobrem que há algo estranho quando a misteriosa jovem revela segredos de cada um deles.

Curiosidades

  • James Marsh chegou a ser cotado para dirigir o longa.
  • O roteiro do terror integrou a Blacklist 2009, lista dos melhores roteiros não filmados.
  • Um dos produtores do filme, Jason Blum, tem muita experiência com longas de terror de baixo orçamento. Ele, por exemplo assinou a produção das franquias Atividade ParanormalA Entidade e Sobrenatural.
  • As gravações aconteceram em uma única casa com todos os membros do elenco em quartos diferentes.
  • Os perfis do Facebook mostrados no filme podem ser encontrados na rede social.

O Círculo

O Círculo

  

Sinopse

A jovem Mae Holland (Emma Watson) acaba de ser contratada pela misteriosa e poderosa empresa de tecnologia e internet O Círculo, liderada por três homens conhecidos como Three Wise Men e entre eles está Kalden (Tom Hanks). Lá, Mae se encanta com o ambiente de trabalho, com muito conforto, regalias e festas. Mas o emprego começa a tomar cada vez mais o tempo dela. Sua função é devastar a privacidade das pessoas pela internet, acessando senhas, dados pessoais, e-mails e redes sociais.

Curiosidades





Filmes sobre os riscos da exposição nas redes sociais


AOS TEUS OLHOS



 
                                                 
Data de lançamento 12 de abril de 2018 (1h 30min)
Direção: Carolina Jabor
Gênero Drama
Nacionalidade Brasil


SINOPSE E DETALHES
Não recomendado para menores de 16 anos
Rubens (Daniel de Oliveira) é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes em um clube. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), diz à mãe que o professor lhe deu um beijo na boca no vestiário. Alegando inocência, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens de WhatsApp e explode de vez quando chega ao Facebook.








LIMITES E CUIDADOS NO USO DAS REDES SOCIAIS.  Os perigos da exposição pública
Com o avanço tecnológico, o acesso à Internet leva cada vez mais os brasileiros à inclusão nos ambientes digitais, e as redes sociais ocupam uma posição de destaque nas estatísticas sobre o tema. Sem dúvida, estamos diante de um grande fenômeno o qual permite acesso a informação global, aprendizado cultural, política, lazer, relacionamento social e profissional. As redes sociais são meios de comunicação que interligam pessoas por área de interesse de forma virtual, com rapidez de divulgação independente da distância e com custo irrisório. Diante de tanta facilidade e amplitude, é certo que surgem pontos negativos que precisam ser tratados com muito cuidado, atentando para o uso correto das diversas ferramentas disponíveis na Tecnologia de Comunicação e Informação (TIC). Um exemplo na área profissional desse cuidado é que as empresas em busca de talentos, conectam-se às redes sociais para selecionar o perfil adequado do profissional, baseado em informações de conduta, hábitos, hobbies, preferências, comportamento ético, boa redação e habilidade de relacionamento dos candidatos.
Com a mesma facilidade que as redes sociais são utilizadas para divulgação de cultura, lazer e importantes informações, também são utilizadas para difamação, fofocas e intrigas que destroem relacionamentos e causam constrangimento às vítimas, além de atentados, apologia a crimes, maus tratos contra os animais e violações dos Direitos Humanos como aliciamento, incentivo ao racismo, neonazismo, homofobia e intolerância religiosa. Podemos exemplificar com fatos recentes como o Diário de Classe, página criada por uma adolescente estudante da rede pública em Florianópolis, no qual ela denunciava problemas na infraestrutura e didática de alguns professores de sua escola, um verdadeiro ato de cidadania. Por outro lado, pais de menores foram condenados pela justiça de Rondônia, por seus filhos terem criado uma comunidade em um site de relacionamento para ridicularizar um professor da escola onde estudavam.
Levantamos então as seguintes questões: qual o limite entre o público e o privado? Quais são os riscos sobre o que se publica nos sites? Quais os cuidados necessários quanto ao uso correto das redes sociais?
“A internet pode ser vista como a maior praça pública do mundo e esconde violência real nas esquinas virtuais” (Especial da Revista do 50º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil).
Quando uma pessoa compartilha, nas redes sociais, informações pessoais e de sua vida particular, tais como fotos e vídeos, endereço, telefone, horário e locais onde frequentam, está se expondo virtualmente de uma forma exagerada e perigosa. Quem de nós sai distribuindo fotos em praça pública e falando nos ônibus, a quem quer que seja, sobre os horários e locais que costuma frequentar? Precisamos compreender que o mundo virtual faz parte do mundo real e se cuidamos de nossa segurança com muros e grades em nossas casas, devemos também ter cuidado em preservar nossa privacidade. O usuário das redes sociais deve se sentir confortável com o que publica na internet e ao criar seu perfil, deve ser cauteloso, pois nunca se sabe quem estará lendo essas informações e quais são suas reais intenções.
Vivemos num mundo violento e os riscos são muitos: golpes, sequestros falsos e verdadeiros, pedofilia, ameaças e chantagens que muitas vezes, o medo e o constrangimento é tanto que evitamos sair de casa para não sermos alvo de chacotas, críticas, julgamentos equivocados e exclusões sociais.
Pais e educadores devem ficar atentos quanto ao uso da TIC pelas crianças e adolescentes porque, aprender a criar páginas, fazer vídeos e manipular imagens nas redes sociais não é uma tarefa difícil, mas ter uma postura ética e responsável depende de uma orientação com qualidade e eficiência, para que eles possam entender e internalizar a dimensão pública a qual estarão expostos, não só em relação aos seus direitos, mas sobretudo aos deveres impostos pela nossa constituição.
Para finalizar, relaciono a seguir algumas dicas e cuidados para o uso correto das redes sociais, extraídos da cartilha “SaferDic@s”, elaborada pela SaferNet(*).
Cuidados:
·         Não exponha detalhes de sua vida. Sua intimidade é preciosa e não deve ser aberta para qualquer um;
·         Quando divulgamos informações pessoais na internet, elas se tornam públicas;
·         Após publicar algo na internet, é impossível voltar a escondê-lo;
·         Os “cadeados” e bloqueios de acesso podem ser “quebrados” por pessoas mal-intencionadas;
·         Seus dados podem ser roubados e manipulados para ofender e mesmo chantagear.
Dicas para manter-se seguro:
·         Mantenha o mínimo de informações em seu perfil;
·         Se divulgar fotos, use as que não facilitem seu reconhecimento, nem endereço ou nome da escola;
·         O que importa é a qualidade e não a quantidade de amigos. Cuidado com estranhos;
·         Jamais aceite convite de encontro presencial com quem não conhece;
·         Troque sua senha periodicamente;
·         Caso seja agredido por estranhos, configure sua conta para bloquear os contatos indesejados;
·         Se visualizar conteúdos suspeitos de violarem os Direitos Humanos, denuncie em www.denuncie.org.br.
“Palavras são apenas resumos dos nossos sentimentos profundos, sentimentos que para serem explanados precisam mais do que um sujeito, um verbo e um predicado. Precisam de toque, visão, audição. Amor virtual é legal, mas o teclado ainda não dá conta de certas sutilezas”.  (Martha Medeiros)
(*) ONG sem fins lucrativos, voltada à prevenção, orientação, acolhimento de denúncias e canal de ajuda via chat ou email; criada por cientistas de TI, professores, pesquisadores, psicólogos e bacharéis em Direito.
Bibliografia:
Anais do 49º Congresso Nacional da EPB
Revista do 39º Seminário Regional da EPB – Salvador
Revista do 50º Congresso Nacional da EPB
Internet: Redes sociais: exposição ou intromissão – Christiane Lima
Internet: O limite entre o público e o privado – Jéssica Silva
Cartilha SaferDic@as da SaferNet




Acumulando saberes

Tarde enriquecedora, onde  pudemos contar a presença do advogado Dr. Ricardo Centelha, que nos disponibilizou muito mais do que seu conhecimento, trouxe-nos ótimas dicas para o nosso trabalho

                          Momento de utilidade pública



Após todas as nossas pesquisas, saímos pelas ruas de nossa cidade (Pirajuí - SP), com o objetivo de dividirmos nosso conhecimento com os todos os moradores. Para tanto distribuímos panfletos com orientações sobre os cuidados que devemos tomar ao realizarmos nossas postagens nas redes sociais.



Série 13 reasons why estimulou ideias de suicídio, diz estudo
A busca na internet sobre formas de se matar e estratégias de prevenção aumentaram 19% após o Netflix lançar a história de Hannah Baker
             
A dúvida

Desde que a série 13 reasons why estreou em 31 de março no serviço de streaming Netflix, pais, professores e especialistas em saúde mental se perguntam que efeito teria sobre os jovens um programa que disseca em seus 13 longos episódios os motivos que levaram Hannah Baker, uma adolescente de 16 anos, a tirar a própria vida. A série virou caso de saúde pública diante da possibilidade de que a personagem influenciasse o comportamento de outros jovens. Havia a preocupação de que a narrativa em primeira pessoa, com a produção requintada de uma grande série, romantizasse a história trágica, atribuindo a culpa a outras pessoas, não a um problema psiquiátrico que poderia ser tratado. A cena de três minutos que mostra em detalhes o método que Hannah usou para se matar também poderia dar informações demais a quem já pensou em tirar a própria.
Agora, quatro meses após o lançamento, surgem as primeiras respostas. Um grupo de pesquisadores americanos revela os resultados de um estudo que avaliou o impacto real da obra sobre a vida dos espectadores. E as preocupações de saúde pública ganharam novo sentido. “13 reasons why é, infelizmente, um exemplo claro de como ignorar as recomendações de combate ao suicídio resulta em consequências não intencionais, mas terríveis”, afirmou o epidemiologista americano John Ayers, pesquisador da Universidade Estadual de San Diego e autor do novo estudo, divulgado nesta segunda-feira (31) em uma das publicações científicas da Associação Médica Americana.
Qual é o efeito?
A equipe de pesquisadores liderada por Ayers analisou as buscasfeitas por americanos em um grande buscador da internet entre 31 de março, data do lançamento da série, e 18 de abril, véspera do suicídio do jogador de futebol americano Aaron Hernandez. A escolha teve como propósito não contaminar o motivo das buscas com o interesse despertado pela morte do atleta. Eles analisaram o volume de buscas de 20 termos ligados a suicídio, como a palavra em si e outras expressões associadas: “como se matar”, “ideação suicida”, “prevenção do suicídio”, “suicídio indolor”, “suicide hotline” (telefones de serviços de apoio psicológico). O resultado não causou muita surpresa: “O lançamento de 13 reasons why foi seguido rapidamente por um aumento nas buscas na internet relacionadas a suicídio, incluindo métodos para se matar”, afirma Ayers. No período estabelecido pelo estudo, a procura por temas relacionados a esse universo foi 19% maior do que era esperado, conforme projeções feitas com base em períodos anteriores. As buscas chegaram a 1,5 milhão a mais.
O estudo revelou que a maioria das pesquisas on-line se referia à ideação suicida, associada ao interesse e ao planejamento mental do suicídio. A expressão “como cometer suicídio” teve um aumento de 26% nas buscas, seguida por “pensamentos suicidas” e “citações sobre suicídio”. As expressões “cometer suicídio” e “como se matar” aumentaram 18% e 9%, respectivamente, no período. Por outro lado, a procura por termos ligados à prevenção, como telefones de centros de valorização da vida, também aumentou, cerca de 20%. O que significa que a série também pode ter dado sua contribuição para aumentar a discussão sobre o problema.
Os pesquisadores são pessimistas em sua análise. Para eles, o balanço entre a promoção da ideação do suicídio e da prevenção é delicado e pode pender para o primeiro. No artigo, afirmam que 13 reasons why pode ter despertado a sociedade sobre a importância de falar sobre o assunto, mas, acidentalmente, também aumentou a ideação suicida. “Deveríamos estar muito preocupados”, afirma Ayer. “Quanto mais alguém contempla a ideia de suicídio, maior é a probabilidade de que a coloque em prática.” A equipe de Ayers não localizou nenhum caso concreto de suicídio motivado pelas buscas suscitadas pela série, mas outros trabalhos sugerem que esse tipo de pesquisa na internet está intimamente conectado a mortes. Pesquisadores chineses fizeram, em 2011, um estudo bastante localizado, na cidade de Taipé, em Taiwan, cruzando o número de suicídios locais com as buscas na internet por termos associados a suicídio. Perceberam uma clara relação. “A maior parte das buscas por termos médicos, familiares e socioeconômicos associados a causas de suicídio precedia às mortes, enquanto as buscas por termos psiquiátricos coincidiam com elas”, escreveram os autores.
Overdose de ficção?
O formato de 13 reasons why, cujos episódios são lançados todos ao mesmo tempo e podem ser vistos em sequência, o chamado “binge watching” (algo como “assistir compulsivamente), também causa preocupação. Ele poderia potencializar os efeitos da ideação suicida, ao submergir um espectador fragilizado nesse universo. “Essa imersão na história e nas imagens pode ter um efeito particularmente forte nos adolescentes, cujo cérebro ainda está desenvolvendo a habilidade de inibir certas emoções, desejos e ações”, afirma a psicóloga americana Kimberly O’Brien, que trabalha com prevenção de suicídio entre adolescentes no Hospital Infantil de Boston e é uma das autoras do editorial que acompanha a publicação do novo estudo. “Para os adolescentes que já pensaram ou estão pensando em suicídio, esse impacto pode ser ainda maior porque para eles a história é totalmente condizente com sua realidade”, disse Kimberley a ÉPOCA. A série, a despeito das preocupações, tornou-se instantaneamente um estrondoso sucesso, em parte por lidar com as angústias e os problemas que os adolescentes enfrentam: pressão para serem aceitos, bullying, difamação nas redes sociaispreconceito de gênero, violência sexual e falta de diálogos com os pais educadores.
Uma pesquisa realizada nos 1990 pela epidemiologista psiquiátrica Madelyn Gould, uma das referências nesse tipo de estudo, sugere que os jovens são, de fato, mais vulneráveis ao efeito de contágio do suicídio. A pesquisadora da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, investigou as conexões entre diferentes casos de suicídio, concentrados em alguns períodos e regiões, e concluiu que adolescentes entre 15 e 19 anos que haviam sido expostos a relatos de suicídios tinham entre duas e quatro vezes mais chances de se matar do que pessoas de outras faixas etárias. A preocupação com a suscetibilidade dos jovens também tem outras razões. Nas últimas décadas, o suicídio entre os 15 anos e 29 anos se tornou a segunda causa de morte, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, em 30 anos, aumentou  25% entre os 15 anos e 19 anos: passou de 3,1 suicídios a cada 100 mil habitantes em 1980  para 3,9 em 2012.
O que a ciência diz
A polêmica sobre o contágio do suicídio começou a ganhar respostas concretas nos anos 1970, com as pesquisas do americano David Phillips, que trabalhou nas universidades Johns Hopkins, Stony Brook e da Califórnia. Em trabalhos sistemáticos nas décadas de 1970 e 1980, Phillips mostrou que havia uma forte relação entre as notícias sobre suicídio, veiculadas em jornais impressos e na televisão, e aumentos subsequentes nas mortes por suicídio. Em um estudo de 2000, o sociólogo americano Steven Stack descobriu que esse efeito era ainda maior quando as notícias tratavam do suicídio de celebridades. As pesquisas que analisavam o efeito copycat(“imitação”) após a morte de famosos mostraram que era 14,3 vezes mais provável encontrar replicações do ato do que em estudos que mediam o impacto do relato de suicídio de pessoas comuns. O efeito copycat, por sua vez, era quatro vezes maior quando as notícias eram sobre casos reais do que quando se analisava a importância de obras ficcionais para influenciar as pessoas a tirar a própria vida.
Apesar de o efeito multiplicador ser menor quando a influência vem de romances, filmes e séries, em vez de casos reais e famosos, as obras de ficção também podem ser perigosas para pessoas fragilizadas. Em 1981, dois pesquisadores alemães estudaram o efeito de um suicídio mostrado em um episódio de uma série de TV exibida na Alemanha Ocidental. O número de jovens que tentaram se matar usando o mesmo método apresentado na ficção aumentou nos 70 dias seguintes à transmissão. Em 1999, um estudo na Inglaterra sugeriu o mesmo efeito. Depois que a novela Casualty exibiu um episódio em que um piloto da Força Aérea britânica tomava uma overdose de medicamentos para se livrar do fantasma da morte de um colega em um acidente, as tentativas de suicídio usando o mesmo método cresceram 17% em 49 serviços de emergência da Inglaterra. Na segunda semana, o efeito ainda era sentido: os casos foram 9% mais frequentes. Entre os sobreviventes, 20% relataram aos pesquisadores que a série influenciou sua decisão de tentar tirar a própria vida e 17% afirmaram ter escolhido o método por terem visto o episódio.
                                                                                                                    Marcela Buscato